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terça-feira, 5 de agosto de 2014

A CONTADORA DE FILMES - RESENHA DE LIVRO


Autor- Hernán Rivera Letellier (tradução de Eric Nepomuceno)
Editora - Cosac Naify

Num daqueles passeios pela livraria fui fisgada por um pequeno livro, atraída inicialmente pelo bem elaborado projeto gráfico, onde cada capítulo é apresentado como um fotograma, resolvi ler a "orelha", comentários elogiosos do cineastra Water Salles, o elegiam como um novo projeto cinematográfico. O que mais entusiasmaria uma cinéfila? A narrativa se passava no norte do Chile, nas proximidades do deserto do Atacama, onde estive recentemente.

A realidade áspera do povoado ao lado de uma indústria de salitre chega através da família do mestre Catilho. A história se passa no final dos anos 50, no momento em que o pai sofre um acidente de trabalho que o deixa paralítico e a mãe o abandona. A situação familiar fica complicada com a renda reduzida à metade, e o pai tendo a tarefa de cuidar sozinho dos cinco filhos e administrar a tristeza do abandono.

A penúria econômica os faz perder uma das suas diversões favoritas, a ida semanal ao cinema. O pai decide então realizar uma espécie de concurso entre o filhos, onde aquele que melhor cumprir a missão de narrar filmes para o resto da família, será o escolhido para ir a sessão dominical de cinema.

Maria Margarida, a única menina entre os filhos, é quem se sai melhor e desenvolve a cada dia a tarefa de narrar, buscando detalhes para dar mais ênfase aos relatos, usando vestimentas e acessórios para representar os personagens. Sua fama ultrapassa a fronteira da casa, alcançando a vizinhança. Uma vizinha entusiasmada chega a compará-la a uma fada, que com a varinha mágica das palavra os transportava a um mundo mágico.

Mas, ao contrário dos contos de fada ou das comédias açucaradas de Doris Day, não há final feliz. A televisão chega, afastando os ouvintes, os meninos crescem, a família se desagrega, Salvador Allende é eleito e deposto por Pinochet, que passa a governar o Chile com truculência.

Apesar da evocação proustiana que alguns dos filmes relatados me trouxe, confesso que a obra me decepcionou. Falta ao livro uma consistência narrativa, uma elaboração que vá além da história. Talvez a inspiração dos filmes mexicanos da época, tenha deixado o tom lacrimejante, novelesco demais para o meu gosto.


3 comentários:

Ramon Prates 7 de agosto de 2014 13:39  

Poxa, vc compra livros assim do nada na livraria. Corajosa! :)

Marcos Monteiro 8 de agosto de 2014 11:31  

Tucha, com sua honestidade bem escrita, acabo de perder a vontade de ler esse livro, mas nunca perco a vontade de ler suas resenhas rs...um abraço.

Bergilde 25 de agosto de 2014 12:27  

A certeza de uma ótima análise crítica de leitura cada vez que venho aqui.Fico a imaginar o acervo que você tem em casa se não doar também...Grande abraço Tucha e boas leituras sempre!

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