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quarta-feira, 30 de abril de 2014

A ELEGÂNCIA DO OURIÇO - RESENHA DE LIVRO


A originalidade deste livro vem de ser conduzido por duas narradoras, suas vozes em princípio paralelas, depois entrelaçadas, vão desenhando uma espiral onde se misturam argumentos filosóficos, contemplações  estéticas, experiências literárias e cinematográficas e  birras de classes. Numa narrativa que alterna momentos de melancolia, sarcasmo, graça e poesia.

Em comum o fato de residirem num prédio sofisticado de classe média alta em Paris, a capacidade de percepção e análise da vida social e intelectual francesa e de que ambas buscam obstinadamente manterem a suas inteligência e sensibilidade quase invisíveis aos olhos alheios.

Renée, é a zeladora de meia idade, que se descreve como: "viúva, baixinha, feia, gordinha, mal humorada", que seria o chichê da "concierge" parisiense, se não fosse por um detalhe que se esforça por esconder. Ela é um ser refinado que lê pensadores como Husserl e Marx, se apraz com boa literatura, deleita-se ouvindo Mozart ou vendo filmes como os de Yasujiro Ozu. É a inspiração para o título do romance, "por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza [...] dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes."

Paloma é a adolescente de doze anos, com um pai com alto cargo político e a mãe dondoca com doutorado em letras, a irmã mais velha estudante de filosofia, mas encara a família com olhar critico. Tem conhecimento superior a sua idade e se impõe o desafio de descobrir um sentido para vida ou cometer suicídio ao fazer treze anos. Até lá mantém duas séries de crônicas de suas experiências intimas: os Pensamentos Profundos e o Diário do movimento do mundo.

Vamos conhecendo, separadamente, os pontos de vista e analises destas duas mulheres, até que chega um novo morador, um senhor japonês Kakuro Ozu, que conseguirá ter acesso as duas protagonistas. Certamente por ser estrangeiro, de uma outra cultura, e portanto, desprovido de seguir as normas convencionais vigentes, podendo assim, criar vínculos de amizade verdadeira com as duas permitindo que revelem suas qualidades ocultas: o refinamento de Renné e a inteligência de Paloma.

O livro de Muriel Barbery. escritora francesa, é de uma ironia delicada, passando por temas contemporâneos, como o papel da arte, o processo de envelhecimento, cheio de comentários sobre a experiência.

A ELEGÂNCIA DO OURIÇO
Autora - Muriel Barbery
Tradução - Rosa Freire d'Aguiar
Editora: Companhia das Letras


3 comentários:

António Jesus Batalha 2 de maio de 2014 16:31  

Seu blog é encantador, estive a ver e ler algumas coisas, não li muito, porque espero voltar mais algumas vezes,mas deu para ver a sua dedicação e sempre a prendemos ao ler blogs como o seu. Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante, pode deixar um comentário, e se desejar fazer parte de meus amigos virtuais, esteja à vontade, irei retribuir.Mas por favor não se sinta coagido, siga apenas se desejar. Abraço.
António.

Ramon Prates 3 de maio de 2014 23:07  

Acho que não é muito a minha cara esse livro.

Andreia Borges Da Silva 8 de novembro de 2016 01:51  

Ótima resenha! Também gostei muito do livro. Bjs Andreia www.mardevariedade.com

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