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quarta-feira, 20 de março de 2013

DEU BOLO


Zygmunt Bauman diz que vivemos a era do amor líquido, onde instabilidade dos relacionamentos amorosos é a tônica, mas as vezes fico acreditando que vivemos o tempo do amor esfarelado, que acaba muitas vezes antes que o bolo seja batido. Conto isto pensando no que me contou esta semana uma amiga.

Conheceu um moço através de amigos comuns e ele no flerte, na corte, na paquera. Sempre tinha um elogio pronto, "como você tá linda hoje, nossa"... Todo um clima formado e ela cheia de pretensões, mas, aguardando o sinal verde, a iniciativa da saída tinha qye ser dele (era uma mulher das antigas). Até que um dia, depois de um papo meteorológico, aconteceu o convite: "Seria ótimo se pudéssemos pegar um cineminha?"

De imediato, ela pensou: "queria mesmo que você me pegasse". Mas, naquela esperança de que o cinema levasse a algo mais, calmamente disse sim. "Sábado seria perfeito!"
Tudo marcado, a moça depila, escova os cabelos, esmalta as unhas, todo um jogo de adivinhação no chuveiro de como seria o cara. Ao final da preparação, toda trabalhada na lingerie, no pretinho básico e no perfume ela espera...


Chega a fatídica hora e nada. O tempo passa e nenhum sinal... Ela manda uma mensagem de texto. Não vem nada de volta, silêncio no planeta.


É, garota, bata os ovos… junte a farinha… adicione o fermento e misture com a espátula do abandono e bata que é bolo. Asse em forno brando da raiva e torre este confeiteiro maluco.  


Somente na domingo à tarde, ela recebe uma lacônica mensagem-cupim: “Trabalhei até tarde ontem”.  O que dizer?


Esse ai, amiga, é um homem de Ossanha, o que diz que vai e “não vou”, como na canção de Baden & Vinícius. Um homem que não chega junto, tira uma onda, assanha, e desaparece sem ao menos avisar ou inventar uma desculpa.


Consolo dando uma de Poliana, poderia ser pior. Existem aqueles que cultivam outros requintes. Fazem planos, geram expectativas e depois desaceleram até que, quando menos se espera vem aquela frase agorenta: "Precisamos conversar, Maria". Homem querendo  discutir a relação é sempre um problema. E seguem aquelas outras frases: "Não sei o que está acontecendo comigo" ou "Você tem percebido que eu estou um tanto estranho ultimamente" ou, mais trágico ainda, "conheci outra pessoa". São prelúdios de desgraça.

Ai já não é mais bolo, já é um famoso "chute no traseiro". 

É relacionamentos são quase sempre complicados. É o amor líquido...

4 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho 21 de março de 2013 03:45  

Um prato muito comum em todas as épocas e alguns bem traqueados neste serviço...

Hoje são eles e são elas. Não há limites e se a coisa pega...se ela desculpa ... amanhã ainda se usa e abusa mais e se troca e se esquece...

Não me considero antiquado. É aquilo que vejo. Eles gostam e elas curtem muito...bué fixe...

Bergilde 21 de março de 2013 08:51  

Ai que dó desta sua amiga,mas o pior é que você tem toda razão nesta crônica maravilhosa que escreveu a partir da história dela.Vivemos uma época onde criar expectativas no outro em se tratando de amor é como jogar na loteria!Que a desilusão não tire dela a esperança de encontrar alguém melhor em quem realmente poder confiar!
Abraço afetuoso pra você já desejando feliz páscoa visto que estarei ausente da Internet por toda a semana que vem!

Ramon Prates 21 de março de 2013 22:38  

Com as facilidades de comunicação de hoje em dia, receber a mensagem só no dia seguinte é sacanagem. hehehehe

Vanessa Anacleto 19 de abril de 2013 21:42  

Caramba, este sequer é amor . Foi um interesse líquido. E volátil. Abraço!

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