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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

POESIA EM TEMPO DE GUERRA


A mídia traz todas as imagens e os comentários (alguns absolutamente burros) da guerra civil vivida pelo Rio de Janeiro, e acompanhada por todos nós que amamos a cidade maravilhosa. Não vou acresentar mais comentários, uso versos de um poeta carioca. As imagens são do site do Jornal do Brasil.



Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir


Carlos Drummond de Andrade - Nosso Tempo - 1ª parte



4 comentários:

Bergilde Croce 29 de novembro de 2010 08:14  

Tucha,é mesmo lamentável ver pelo mundo afora essas imagens do RJ,mas é o preço injusto que muita gente boa tem de pagar por ter que viver entre o caos e a esuberância.
Meu abraço e gostei muito do poema de Drumond que conhecia somente alguns versos.

Georgia 30 de novembro de 2010 04:56  

Marta, aqui estamos acompanhando tudo o que está acontecendo no RJ. Pode imaginar como os alemaes estao assustados?

Bjao

RAMON(ES) 30 de novembro de 2010 09:34  

É, vamos ver como vai ser a volta ao "normal".

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