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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

JOSÉ E PILAR

Se lhe pergunto: qual a melhor maneira de conhecer alguém? Certamente você vai responder: Convivendo. E esta é a proposta deste documentário, acompanha ao longo de três anos a doce (e atarefada) rotina de José Saramago e sua esposa, a jornalista Pilar del Rio. E o resultado é uma visão única e reveladora do escritor e do homem.

A equipe cinematográfica (o diretor é o portugues Miguel Mendes) tem o grande mérito de fazer com que os documentados fiquem à vontade com a câmara. Desta forma o casal protagoniza momentos que encantam pela franqueza e autenticidade. De circunstâncias prosaicas, como um carinho afetuoso, as mãos dadas, ou debates sobre pontos de vista divergentes (como em relação à candidatura de Hillary Clinton, defendida por ela, e a de Obama, defendida por ele), até o difícil momento do adoecimento e hospitalização dele.

Temos também a oportunidade de acompanhar o processo criativo do seu penúltimo livro: A Viagem do Elefante. Desde a concepção do tema, as dúvidas, as dificuldades, os momentos de olhares perdidos, jogos de paciência no computador, alternados aos momentos em que o processo flui e o livro vai sendo construído.

É surpreendente também o compromisso do escritor com o seu oficio, mesmo aos 86 anos, e no meio de viagens exaustivas ele não deixa de atender pedidos de fotografias, a autógrafos nos livros (sem dedicatórias que ninguém é de ferro). A leitura das cartas que chegam, algumas hostis, como uma que propõe retornar aos tempos de inquisição e queimá-lo na fogueira. As declarações inusitadas como de fãs de meia idade que se denominam de “Saramaguetes”.

Entretanto o escritor é apenas a metade deste projeto, conhecemos também, Pinar Del Rio, uma mulher admiravelmente forte, que identificamos como fundamental para a carreira do marido. Não apenas no cuidado cotidiano de esposa, mas como organizadora da sua agenda profissional, organizando as viagens, acompanhando-o, protegendo-o, desempenhando um papel vital na preservação da sua obra. Inteligente, dona de uma personalidade repleta de energia, com opiniões definidas e ao mesmo tempo conciliadora e afetuosa.

Vale destacar também a beleza da fotografia, o uso das belas paisagens de Lazarotti como transição, detalhes cuidadosos com a imagem mesmo em situações de viagem. A montagem também merece destaque, imagino com a quantidade de cenas captadas como dever ter sido difícil selecionar e articular os diversos momentos, de forma a passar para emoção e sinceridade. E conhecemos um José Saramago que se revela inspirador não apenas como escritor, como homem. E uma mulher- Pilar - que se demonstra companheira, no sentido abrangente da palavra.


PS- Para saber mais: ficha técnica, trailler etc, visite o site do filme e veja também entrevista com o diretor do documentário

5 comentários:

RAMON(ES) 18 de novembro de 2010 16:46  

A proposta é legal, mas não me interessou muito.

Georgia 19 de novembro de 2010 13:29  

Interessante, Marta.

Bjao

Le 19 de novembro de 2010 22:21  

Me deu muita vontade de assistir. Eh uma historia nao so de amor, mas de companheirismo. Muito dificil hoje em dia. Beijos

Bel 21 de novembro de 2010 09:54  

Droga de Santa Clara que não passa filme de arte!!! Grrrrrrrr

Bergilde Croce 21 de novembro de 2010 12:22  

Mais uma bem bolada forma pra melhor popularizar esse grande autor.
Abraços e boa semana pra ti!

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