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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PARA QUE SERVEM OS ROMANCES ?

Para que servem os romances afinal: Um passatempo de luxo? Uma inútil perda de tempo? Uma tolice burguesa (como pensava Mao)? Ou um estimulante e enriquecedor afazer do espírito? Um momento de transformação pessoal?


Dizem que Borges certa vez, se irritou quando lhe perguntaram: para que serve a literatura? Achou a pergunta idiota e respondeu: “Ninguém indaga qual a utilidade do canto de um canário ou o avermelhado de do crepúsculo”. Sim, estas coisas belas estão ai e, graças a ela, a vida, mesmo que por um instante fica mais bela e menos triste. Para que então procurarmos a utilidade prática. Entretanto, romances, poemas, diferente do gorjeio do pássaro ou do espetáculo do sol desaparecendo no horizonte, não são ofertados pela natureza, são uma criação humana, e assim, talvez seja interessante perguntar o que trouxeram para a humanidade.

Acredito que eles nascem das inquietações que nos fazem humanos, são emoções, sensibilidade que os escritores tentam compartilhar com os demais humanos. Através das palavras, da imaginação eles recriam a realidade e compartilham suas experiências.

Com os livros podemos voltar ao passado e nos irmanar com aqueles que, em outras épocas, criaram aqueles enredos. Podemos conhecer outras culturas, outras paisagens, mas, sobretudo, outros e inusitados sentimentos. Palavras que criam identificações, geram vínculos fraternos, diálogos com pessoas (autores e personagens) que jamais conheceremos, mas que passam a fazer parte da nossa vida..

Vargas Llosa diz que a ilusão literária “parece nos arrancar da cronologia e da história e nos converter em cidadãos de uma pátria sem tempo, imortal” e nela “somos outros: mais intensos, mais ricos, mais complexos, mais felizes, mas lúcidos que na congestionada rotina da vida real”.

A boa literatura derruba os limites, nos deixa livres do tempo e do espaço, impunes para o excesso e isto, de certa forma, nos desafia a transformar nosso cotidiano. Não somos mais os mesmos depois de um grande livro. Fica muito mais forte em nós este sentimento de pertencer à coletividade humana.


Um exemplo bem eloqüente do que estou falando é um filme, inspirado num livro, que acabei de rever: Balzac e a costureirinha chinesa. Nele dois jovens de uma grande cidade, durante a Revolução Cultural Chinesa, são enviados a uma longínqua comunidade rural para serem “reeducados” pelos camponeses. Os romances haviam sido considerados reacionários e queimados pela revolução comunista. Mas os jovens, junto com uma costurerinha local, descobrem uma mala cheia de livros, ao lê-los vão se transformando.


Lendo a Postagem Coletiva
Vida de Escritor percebi o quanto os escritores nos trazem outras reflexões sobre a vida e possibilidades de transformação.

6 comentários:

Dalva 14 de outubro de 2009 22:55  

Oi, Tucha...

Não consigo imaginar minha vida sem os livros que li. Sou totalmente dependente deles...Tenho uma lista enorme de livros que pretendo ler depois do que estou lendo agora, vivo fuçando as livrarias, e os sites sobre literatura e sempre encontro um ou outro para acrescentar... e esse seu post foi responsável por mais um!

;)

Bjs.

Bergilde Croce 15 de outubro de 2009 07:15  

Oi amiga! Desde pequena gosto de ler, na adolescência principalmente- quando na escola os professores de literatura cada mês indicavam uma obra a ser estudada.Hoje vejo jovens que encontram resumos,sumários, tudo mastigado na internet,bem, coisa pra refletir entre os educadores...Adorei sua dica de leitura e reflexão.Abraços,Bergilde

Dan 15 de outubro de 2009 10:23  

Oi Tucha,

A leitura nos estimula e nós leva em frente. Ah que bom seria se fizessemos um país de leitores.

Quanto a Mao, nada a dizer. Socialismo não é isso. Como diz a palavra: socializar...

Leia e assista Fahrenheit 451, livro de Ray Bradbury e filme de François Truft. Tem haver com a Costureira Chineza.

Abraços

rouxinol de Bernardim 16 de outubro de 2009 11:37  

Nenhuma literatura é reaccionária! Só a censura o é!

Vanessa 16 de outubro de 2009 21:31  

Que belo texto, Tucha. Fico feliz que tenha nascido de uma reflexão a partir da coletiva.

Bjs

Carolina 20 de outubro de 2009 10:20  

Eu sou rata de livraria e a categoria romance é pra sonhar sem sair do mesmo lugar. Uma verdadeira viagem romântica.

bjos

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