#navbar-iframe { height: 0px; visibility: hidden; display: none; }

sábado, 23 de maio de 2009

LEITE DERRAMADO


As criticas que li eram elogiosas, algumas chegavam a comparar a prosa do Chico à narrativa machadiana, especialmente porque o narrador do livro, como o protagonista do clássico de Machado de Assis, faz a suas memórias. Rmbora não esteja morto, como Brás Cubas, mas moribundo.

Contada em primeira pessoa por Eulálio Montenegro d’Assunpção, a saga familiar diz muito da história do país, do ponto de vista amargo de uma elite decadente. As desigualdades sociais, o oportunismo dos poderosos, a promiscuidade público privada, o velado preconceito racial estão presentes na trama.

A história flui de modo confuso e algo delirante, a verossimilhança cria dúvidas, suspenses que vão prendendo o leitor. A fala do personagem, seus não ditos, suas contradições, vão mostrando, nas entrelinhas, as verdades que ele não consegue enfrentar. Como num quebra-cabeça bem montado o texto é construído de maneira primorosa.

Percorre toda a narrativa, a paixão mal vivida de Eulálio por uma mulher. As múltiplas descrições de Matilde deixam perceber ao mesmo tempo a paixão e os preconceitos (“mais moreninha das irmãs”, “a que gosta de maxixe e samba"), O ciúme doentio do homem, as dúvidas sobre a fidelidade da personagem também nos remetem a Capitú de Machado de Assis. Igualmente bela, alegre, cheia de vida, embora sem olhos de ressaca, mas com “olhar de pingue pongue”.

As várias casas que o narrador morou e as suas transformações dão conta das transformações do espaço urbano brasileiro. A fazenda da infância se transforma em favela, o palacete da família, em Botafogo, vendido torna-se estacionamento; o chalé, na longínqua praia de Copacabana é substituído por um apartamento no bairro, que é trocado em seguida por outro menor, na Tijuca. Até o túmulo da família, no cemitério S. João Batista, é vendido, constatação da absoluta decadência.

Abordando temas dificieis, a velhice, a decadência o livro têm momentos de humor mordaz, e de certa desesperança. Mas acho a trama bem construída, o bom domínio da narrativa, fazem com que Chico se estabeleça como um grande escritor. Aposte na leitura se gosta de boa literatura.

7 comentários:

james p. 23 de maio de 2009 17:23  

Querida Tucha,gostei de "Leite Derramado",embora ainda prefira a prosa fantástica de "Estorvo" e "Budapeste".Adoro seus posts e seu estilo.Parabéns e um abraço.

Bel 24 de maio de 2009 14:33  

Não li o post. Vou ler o livro primeiro, depois volto! ;)

Bjooo, chego aí amanhã!

Bergilde Croce 25 de maio de 2009 07:27  

1° obrigada por seus comentarios la no meu cantinho, e,lendo ja o inicio de sua reflexao acerca deste livro me recordei de Machado de Assis,entao, se ve que nao me enganei com a percepçao do tipo de literatura realista que tanto me fascina.Poderia acrescentar 'Great Expectations',Grandes Expectativas de Charles Dickens,que também apresenta os podres de uma sociedade tao antiga como atual.Abraços,Bergilde

RAMON(ES) 26 de maio de 2009 12:24  

Pronto, ele devia se dedicar apenas a escrever livros e deixar a música pra lá.
eheheheh

Vanessa 28 de maio de 2009 11:13  

Tucha, estão falando tanto no Chico esses dias que estou quase comprando este livro. :-). Gosto do letrista Chico Buarque , vejamos de me prende como romancista.

Mas o motivo da minha visita é outro. O post de ontem rendeu bons frutos , se você quiser escrever sobre o tema Por que eu tenho um blog? ou tiver um texto publicado envie o link para o Fio. É uma blogagem coletiva sem data marcada e sem lista de inscrição. Basta escrever, publicar quando quiser e enviar o link que eu colocarei na lista .

Abraço!

  ©Template by Dicas Blogger.

TOPO