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domingo, 29 de março de 2009

PARA ELA

Lembro do nosso primeiro encontro, eu devia ter cinco ou seis anos, chegamos ao porto num amanhecer, a visão da cidade de Salvador vista do mar foi tão impressionante que ficou marcada para sempre na minha memória. Acho que foi amor à primeira vista.

Voltei outras vezes a cidade, meus avós moraram um tempo aqui. Aos olhos da menina vinda de uma cidade pequena, alguns encantamentos com a metrópole: o chafariz da praça da Piedade com a dança colorida das águas, os bondes circulando barulhentos, a delícia do sorvete da cubana, a imponência do teatro Castro Alves.

Na década de 70 vim para estudar, Salvador passou então a ser "meu sonho feliz de cidade." Vivia a liberdade das descobertas da juventude, agora longe da vigilância paterna. E foram tantas as revelações, que mudaram para sempre minhas opiniões literárias, minha consciência política, minha vivência religiosa, meus entusiasmos, minha paixões.

Ai me apropriei da cidade, sua ruas, becos, paisagens, praias. Amaralina, Itapoã, Ribeira, Barris, onde fica o melhor acarajé, 'aquela' moqueca de siri mole, a cerveja mais gelada, o pôr do sol fantástico. Nasceu ai a verdadeira baiana. Tudo bem que não aprendi a sambar na roda, nem tocar berimbau, nem lutar capoeira... mas fazer o que, quem sabe um dia.

Essas descobertas e transformações, só foram possiveis porque fiz grandes amigos, que foram parceiros nesse processo. Elas foram acontecendo nas conversas de mesa de bar, no papo depois do cinema, no debate das idéias e nas caminhadas pela cidade de olhos bem atentos.

Continuo apaixonada por Salvador, apesar de em alguns momentos querer abandoná-la, buscar um lugar mais tranquilo pra morar. Os engarrafamentos estão cada vez maiores. A poluição sonora, essa mania soteropolitana de ouvir música muito alto, me deixa surda e irritada.

Entretanto, o que doí mesmo é a constatação cotidiana da exclusão social. Moradias improvisadas nas encostas, pessoas garimpando o lixo nos bairros nobres, crianças abandonadas, pedintes. 'O Haiti é aqui'.

E dizer 'ó paí ó' e que apesar de tudo existe a graça baiana da alegria de viver, de dar volta por cima, é desconhecer a violência cotidiana da cidade. A alta mortalidade de jovens negros ou pardos em sua maioria, vítimas constantes de uma guerra não declarada.

Será que um dia teremos novamente a paz? Será que a cidade recuperará a poesia e a graça perdidas?

Na minha terra, a Bahia
Entre o mar e a poesia
Tem um porto, Salvador

Gilberto Gil - Capinam

3 comentários:

Georgia 30 de março de 2009 06:29  

A Bahia é uma ciade linda, mas tb com muitos problemas sociais.

Mas todo lugar é assim.

Obrigada por aderir o Movimento Natureza. Qualquer dúvida pode perguntar.

Abracos

RAMON(ES) 31 de março de 2009 08:38  

Paz? Em Salvador? Mais fácil a paz mundial...

Movimento Natureza 31 de março de 2009 14:44  

vim esclarecer um pouco sobre o projeto movimento e como ele funciona. Cada pessoa escolhe um dos passos para fazer no projeto.
Nao tem que fazer tudo nao e nem tem no dia 22 de abril escrever um texto enorme e nada copiado da internet.
O texto será produzido por você mesmo de acordo com a experiência que você tiver com a parte do projeto escolhida por você.

Se você plantar uma árvore, entao fotografe e no dia coloque no seu post. Se vc resolveu fazer algo com a sua turma, fotografe e diga o que vc fez.
Se foi na firma onde vc trabalha, mostre o que vc fez em prol da Natureza.

Nada de textos retirados da net.

O Projeto Movimento Natureza é movimento e para isso ele precisa de acao, ele precisa que você coloque a mao na massa.

Nao é blogagem coletiva, trata-se de um projeto a qual estaremos dando continuidade.

Obrigada pelo apoio e qualquer dúvida pode perguntar.

Um abraco Georgia

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