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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

OS TONS DE CINZA


Confesso que fico sempre com o pé atrás com os livros lançados com um esquema publicitário muito intenso. Poucas vezes valem a pena. Resolvi apostar no badaladíssimo “Cinquenta tons de cinza” (ed. Intrínseca), da escritora britânica E.L James. O principal apelo do livro (ou melhor da série / pois já é uma trilogia) seria um erotismo capaz de incendiar as mulheres.

Resolvi apostar. Afinal quem não quer um aditivozinho embaixo do edredom, nestes dias de um certo frio (alguém ai acredita no inverno baiano?). É claro que não esperava um clássico da literatura mas acreditei que por ter sido vendido milhões lá fora (10 milhões de cópias e, 6 semanas nos Estados Unidos) que o livro seria minimamente bem escrito e renderia quem sabe leitura divertida e estimulante. 

Mas foi uma grande decepção, tenho tentado fazer uma leitura sem preconceito, mas está sendo dureza. Digamos que é uma versão “Sabrina” de luxo. O "luxo", no caso, fica por conta dos personagens: uma estudante de literatura e um jovem bilionário. Anastasia e Christian Grey. Tudo muito chique, e com farta descrição dos atributos físicos dos personagens, dos ambientes frequentados, dos presentes generosos do protagonista (todos de "marca", o Mercedes é esportivo CLK, o Audi é SUV, a cueca é Ralph Lauren, o analgésico é Advil, um show de marchandising)  Toda esta combinação me fez lembrar os romances de banca, dos quais Sabina é o mais famoso, que li na adolescência. 

Entretanto a expectativa do "caliente", pelo menos para mim, ficou frustrada. Um erotismo que não engata. Além de milionário generoso e bonitão o Mr. Grey é uma espécie de sádico de butique, que com suas algemas e chicotes encanta a Anastasia, ou Ana para os íntimos. Os personagens são um tanto inverossímeis. A moça é virgem aos 21 anos, nunca tinha sequer se masturbado, tão logo inicia a vida sexual com o "absurdamente gostoso" do Christian se transforma numa maquina de orgasmos "como uma massa tremula de hormônios femininos em fúria". 

Contardo Calligaris, na sua coluna na Folha acredita que o livro "pegou" porque é uma pornografia possível, a história é semelhante com a de casais reais, onde a fantasia é um objeto de negociação: "o quanto cada um pode e deve mudar para o outro, e quanto pode e deve esperar que o outro mude". Abaixo linck sobre o livro com fala do psicanalista.
http://tvuol.uol.com.br/assistir.htm?video=submissa-e-psicanalista-comentam-bestseller-erotico-04028C1B3272C8913326&tagIds=4893&orderBy=mais-recentes&edFilter=editorial&time=all&

A minha resistência ao livro é sobretudo porque é mal escrito, os adjetivos e as interjeições são ingênuos, as cenas de sexo são bem pontuadas, sem economia de detalhes, que podem talvez ensinar o caminho ao prazer a leitores menos experientes. Tirando estas poucas cenas, o que sobra é uma história chata, que não se sustenta a um novo olhar ou atenção para além do entretenimento. São como disse Ruth Aquino, na revista Época, uma pornografia para amadores.

Para quem quer algo mais interessante é preferível retornar aos clássicos, como as ousadas fábulas das Mil e uma noites, ou a ficção erótica de Anais Ninm escrita nos anos 40. Ou viva e escreva as suas fantasias.

5 comentários:

Bergilde 24 de agosto de 2012 16:55  

Também não sou tão chegada ao gênero e pela sua descrição menos ainda.Fez-me rir a tua referência de Sabina porque também lí e na época era mesmo o top das preferências das garotas da escola.
Abraço carinhoso,

Bel 25 de agosto de 2012 09:32  

Só digo uma coisa: EU RI!!!

Tucha 25 de agosto de 2012 09:38  

Quer dar mais risadas... eu empresto.

Ramon Prates 25 de agosto de 2012 10:45  

A piada do livro teoricamente é o conteúdo erótico acessível para a dona de casa. Alessandra tá com ele aqui pra ler também.

Georgia 28 de agosto de 2012 04:12  

Nao é meu gênero de leitura, mesmo, rs.

Te desejo uma semana abencoada

Bjao

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