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terça-feira, 25 de maio de 2010

TEMPO DE POR DO SOL


Estou triste. Os mais próximos têm percebido e se preocupado. Eu os tranquilizo, é uma tristeza boa, mansa, necessária. Brinco dizendo que estou na "muda", mudando as penas como os pássaros.

Um tempo de reflexão, e faço isto de forma ativa, remexendo os guardados. E a lógica da subtração faz o seu trabalho. Vasculho gavetas, armários, caixas, prateleiras, na busca das coisas que ajuntei. Diante de cada coisa faço duas perguntas. Primeiro: gosto? Coisas que são amadas devem permanecer. Se a resposta for negativa, faço a segunda pergunta: é útil? Se a resposta for negativa, está resolvido: ela terá que desocupar o lugar. Minha casa para o tempo que virá deverá ter mais liberdade.

É incrível como acumulamos coisas inúteis ou que vão perdendo a utilidade ao longo do tempo. Roupas que já não cabem no seu corpo, sapatos que lhe apertam. E os papeis então, como os guardo. Aquela página da revista de decoração e a reportagem sobre o país distante que nunca iremos conhecer. Cartas, cartões e fotografias que vão amarelando.

O exercício da desarrumação é terapêutico. No meio das “coisas” estão pedaços da sua vida, o vestido usado numa ocasião especial, a carta escrita por um amor, o cartão enviado por um amigo agora distante. Recordamos, repensamos e vamos "trabalhando" as lembranças. Rasgar, reciclar, redistribuir, movimentar. O feng shui diz que desta forma se combate a estagnação de energia e se abre espaço para coisas novas na vida.

Por enquanto a casa está um caos, ou melhor, em transformação. Como eu, um pouco afastada das pessoas, no meu casulo de indecisão e dúvidas. Mas o tempo de leveza, o tempo de borboleta vai chegar.


Mas eu fico triste como um pôr dos sol
quando esfria no fundo da planície
e se sente a noite entrada
como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
porque é natural e justa
e é o que deve estar na alma...
É preciso ser de vez em quando infeliz
para se poder ser natural.
Alberto Caeiro.

3 comentários:

Georgia 26 de maio de 2010 06:12  

Tucha, o inverno só comecou e percebo uma tristeza em você.

Sei que arrumar gavetas é uma terapia e das boas, mas nao pode ficar prá baixo nao, viu.

Acho que tu tá com saudades da Bel, rs.

Eu tb faco muito esse tipo de arrumacao por aqui. Nao gosto de guardar coisas que vao me deixar com saudades, ou daquilo que nao vou usar, mas guardei nem sei porque.

Compra um fichário dos grandes e ai vc vai colocando as folhas todas lá dentro. Assim fica arrumado e fácil de abrí-lo qdo vc quiser rever alguma coisa.

Bjao

Bergilde Croce 26 de maio de 2010 07:55  

Tucha me identifico também contigo e com o que disse a Georgia.Às vezes esses momentos de interiorização fazem muito pra nosso Eu maior,porém devemos estar certos como bem disse você no post do que vale à pena realmente ser mantido e do que precisa ser modificado,reciclado ou mesmo jogado fora.
Grande abraço,Bergilde

Bel 30 de maio de 2010 18:05  

Ih, eu conheço bem essa "época da muda", muda nos dois sentidos: de ficar calada e de mudar as penas, como as aves.
Tenha calma - e fé - que a renovação chega!
Hummm... o "espaço em casa" para "a fase que virá" é o que eu estou pensando?

Beijo, saudadona!

(Passei por aí ontem, mas foi só pra dormir e sair direto pro aeroporto, fiquei na casa de Dinah, a mais próxima do 2 de Julho e a mais disponível também!)

Bjoooo de novo

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