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domingo, 13 de dezembro de 2009

O BOM VELHINHO E A MENINA


Uma figura freqüente nestes tempos natalinos é o Papai Noel. Mesmo no calor tropical do verão brasileiro lá está ele, vestido a caráter, com se estivesse no inverno do hemisfério norte.

E dizem, Papai Noel que não existes?
Garotos podem apertar-te a mão na Rua do Ouvidor.
Sessent´anos marcados pela vida
E pelo dente do salário mínimo.
És gordo. Estás suado. Tens cecê.
Também, com este calor de patropi,
Queriam que recendesses a lavanda?

Muitos já pediram a sua extinção. Conheço um senhor que é pastor protestante que em tempos natalinos distribuía folhetos pedindo o fim do tal bom velhinho, dizendo que ele desvirtua o sentido cristão da celebração, direcionando para o consumo todas as atenções. De fato ele é um bom vendedor.

Dás (vendes) geladeiras que teu gelo
vai vestindo de neve e crediário
Vendes relógio, a peruca, o blended scotch,
o biquíni, o recheio do biquíni
a idéia do Natal & outras idéias.
Entretanto a mim incomoda mais a desigualdade social que o mito evidencia. Quantas crianças ficam sem presente ou não recebem o sonhado porque a família não tem condições de comprá-lo. E foi justamente por conta de uma menina e do seu sonho que estou escrevendo sobre o assunto. Tinha uns onze anos e estava da sinaleira em frente a um dos shoping da cidade, com sua bolsinha cor de rosa a tiracolo, uma caixa de papelão enfeitada e um sorriso simpático recolhendo dinheiro para a compra do seu presente.

Ela não acredita mais no Papai Noel, mas ainda acredita nos homens e por isto estava lá batalhando. Cabe a nós afastar a ilusão do mito e mostrar a ela e a tantas crianças espalhadas por ai a face afetuosa e divina da humanidade.

Sob o veludo amarfanhado
de teu uniforme de serviço,
na rosa rubra de dezembro,
junto ao berço de palha de um menino,
percebo a tristeza do mito
que aos homens se aliou para iludir
nossa fome de Deus na hora divina

As estrofes selecionadas são parte de um poema chamado A um senhor de barbas brancas de Carlos Drummond de Andrade.

4 comentários:

Bergilde Croce 14 de dezembro de 2009 06:01  

Oi Tucha!Achei tocante sua narraçao.E sao tantas as crianças como esta menina,nao é mesmo?Para as pessoas pensarem e mudarem de atitude diante deste grande acontecimento cristao.Abraços e boa semana!

Georgia 14 de dezembro de 2009 06:18  

Tucha, fiquei emocionada com a menina da tua história. Eu tb acho que deveria acabar com o mito.
Nao sou contra a comercializacao, pois existe um outro lado: manter o emprego de muita gente; sao muitas fábricas trabalhando e dando emprego para muita gente, as lojas, os cabeleireiros, as costureiras, enfim é uma bola movendo muitas energias...mas acho triste o simbolo do bom velhinho que para muitas nunca é bom por uma série de motivos.

Um beijao

Paula 14 de dezembro de 2009 16:49  

Sobre o post aí embaixo, adorei o "inquietação e criatividade" rsrsrs.
Bjos,
Paulinha

Carlucha 15 de dezembro de 2009 06:27  

Polêmicas à parte... :)) (adoro uma) hehe
Na minha opinião o papai noel realmente tira o foco da festa que deveria ser, pelo menos inicialmente, religiosa. Enquanto as outras grandes religiões são extremamente herméticas, como o Judaísmo e o Islamismo, o Cristianismo é uma esponja absorvendo influências de todos os credos... De onde surgiu essa data, 25 de dezembro? É assustador qdo se pesquisa...
Eu sou cristã e claro, acredito nos ensinamentos de Cristo, mas é vergonhoso que somente em épocas especiais os cristãos se lembrem do seu irmão e da sua irmã!
"Amar o próximo como a ti mesmo" é um mandamento que deve ser cumprido o ano todo por todos aqueles que se dizem discípulos de Cristo...

Para pensar:
"Eu seria cristão, sem dúvida, se os cristãos o fossem 24 horas por dia" M. Gandhi

"O último cristão morreu na cruz" Nieztche

São críticas duras, mas infelizmente reais...

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