#navbar-iframe { height: 0px; visibility: hidden; display: none; }

domingo, 20 de dezembro de 2009

RESSUREIÇÃO

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressuscitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.

Elisa Lucinda

3 comentários:

Carlucha 21 de dezembro de 2009 09:12  

"Aquilo que não me destrói, me fortalece." Nietzsche

Infelizmente todos nós passamos por períodos que nos sentimos como a Fênix, ressurgida das cinzas...
Mas tbém acredito que esses períodos de reclusão nós tornam mais fortes e sábios!
Creio de não devemos desanimar por causa de meia dúzia de maçãs podres, é só eliminá-las do cesto
e Graças a Deus, a grande maioria é de maçãs boas!! :))

Tucha, minha querida, quero agradecer o carinho e a atenção que vc me dedicou o ano todo!
Que Deus te retribua em dobro...
Um Feliz Natal pra vc e os seus familiares! Muita paz, saúde e amor no ano que se inicia!

BOAS FESTAS E UM FELIZ 2010!
BJOS E FIQUE COM DEUS!

Bel 21 de dezembro de 2009 13:04  

Espero que esse estado de "deprimida" seja só o restinho do inferno astral, e que hoje o sol tenha nascido com um calor diferente, o calor do verão chegando, e da vida nova - em todos os sentidos!

Feliz aniversário, feliz você todos os dias!

Beijoooooooooo

Dalva 21 de dezembro de 2009 21:30  

Muito forte essa poesia, ótima para uma reflexão própria deste tempo, pois se não me cuido, caio em deprê...

Bjs.

  ©Template by Dicas Blogger.

TOPO