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domingo, 10 de maio de 2009

AMOR DE MÃE: INSTINTO OU CONSTRUÇÃO

O debate sobre se o amor materno é instintivo ou não prossegue. De um lado aqueles que dizem que a maternidade é própria da condição feminina, pois para isso as mulheres são biologicamente preparadas. Os mais radicais dizem que o amor materno é inquestionável, o mais perfeito dos amores, forte, duradouro, eterno. Como no para-choque de caminhão: Amor só de mãe.

A polêmica foi instaurada por uma filósofa francesa, Elisabeth Badinter, autora do livro, Um Amor Conquistado: O Mito do Amor Materno. Fundamentada numa ampla pesquisa histórica, ela diz que a idealização da figura materna foi criada pela necessidade de assegurar a sobrevivência dos descendentes. E o interesse e a dedicação à criança não existiam em outras épocas, em outros meios sociais.

O livro defende que o amor materno não é um instinto, mas um sentimento humano como outro qualquer e, como tal, incerto, frágil e imperfeito, que vai sendo construído através da convivência, algo a ser conquistado.

Não é preciso dizer que a formação do vínculo entre mãe e filho é essencial para a sobrevivência e o desenvolvimento dos filhos. O poder deste laço faz com que se torne prazerosa a árdua missão de cuidar de uma criança. Enfrentar momentos difíceis como atender ao choro, alimentar o bebe no meio da noite, gastar horas ao lado do filho doente.

A natureza ajuda, sim. Quando uma mulher engravida, hormônios são produzidos para evitar o aborto, garantir a sobrevivência do feto. No parto ajudam a potencializar as contrações uterinas e contraem o útero no pós parto. Continuam atuando quando o filho nasce. Uma glândula encontrada numa região do cérebro chamada hipotálamo, produz um hormônio chamado ocitocina, além de estimular a saída do leite materno ele dá uma sensação de calma, satisfação e alegria à mãe. A prolactina, outro hormônio, garante a produção do leite materno.

Este processo bioquímico ajuda a promover o inicio da ligação entre mãe e bebe. Daí a importância da amamentação, da proximidade nos primeiros dias, se acredita que este momentos vão contribuir para a formação do vínculo, um relacionamento que persistirá através do tempo.

Afinal a produção hormonal vai sendo reduzida, e a relação entre filho e mãe prossegue sendo construída através do cuidado, do carinho, do afeto. O que dizer também das mães adotivas, que mesmo não tendo produção hormonal desenvolvem a formação de vínculos e o afeto.

Fico contente em ter participado da geração que derrubou alguns mitos, entre eles, esse. E decretou o fim do devotamento absoluto da mulher a maternidade, que impunham unicamente a ela o “sacrifício”, as “privações” do cuidado a criança. Assim as novas gerações (pelo menos na maioria dos países do lado ocidental do planeta) têm outro cenário onde:



  • O novo pai participa da gravidez, de parto, partilha das alegrias, do carinho e das tarefas diárias da ‘maternagem”;

  • A mulher pode optar entre ser mãe em tempo integral, ou dedicar-se também a realização profissional, dividindo tarefas da maternidade com outras mulheres e homens;

  • Livre das pressões sociais o desejo de maternidade é mais legitimo e quem não o possui pode optar por não ser mãe, sem que seja olhada como uma anomalia.

    Feliz dias das mães para todas e todos. Conheçam mainha, com quem tenho forte vínculo.
    Para quem quiser se aprofundar no tema a leitura do livro da Elisabeth Badinter, Um Amor Conquistado: O Mito do Amor Materno, ele é muito interessante, a minha edição é a de 1985, mas há edições mais recentes.

5 comentários:

M. 10 de maio de 2009 11:16  

Você tem toda a razão, mãe tem que deixar o filho aprender a cair e levantar.

Agradeço todas as vezes que você me deixou sozinha e me fez ver que além de mãe você é uma mulher em busca da sua realização.

Também quando você não fazia as coisas pra mim e me obrigava mesmo a buscar as minhas coisas (eu chorei quando você me obrigou a ligar pra Wesley pra pedir estágio, mas hoje sei que foi a coisa mais certa que você fez por mim, me ajudou muito a buscar minhas sonhos e a minha carreira)e hoje eu sei me virar sozinha.

Feliz dia das mães!
Te amo muito!

Fatima Cristina 10 de maio de 2009 17:04  

Olá Tucha!
Um feliz dia das mães para você também!
Abraços,
Fatima

Ariane Rodrigues 11 de maio de 2009 08:57  

Valeu pela indicação do livro! Resenha muito oportuna. Abraço!

Vanessa 11 de maio de 2009 11:06  

Tucha, coloquei seu link na lista da coletiva. Bela reflexão. Muito obrigada por participar!


abraço

bergilde 12 de maio de 2009 10:00  

Muito profunda a reflexao sobre uma relaçao tao complexa...Vou tentar encontrar aqui onde moro o livro para ler.Obrigada pela dica.

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