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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

NAVEGANDO


Hoje ela faria aniversário. Sua chegada foi um momento de absoluta felicidade, tempo de conhecer uma espécie de amor que nunca havia experimentado antes.

Olhava aquela menininha adormecida e queria aconchegá-la e protegê-la para sempre em meus braços. Pais são assim, nosso desejo é sempre que estejam seguros. Mas a vida é impermanência e filhos são como barcos, preferem o perigo dos mares à segurança do cais. E ela foi navegando pela vida afora, vivendo a própria aventura.

Se há alguma coisa de que não me arrependo na vida é de ter tido filhos. Peço licença poética a Adélia Prado, para tomar versos emprestado: Amor é a coisa mais alegre/ Amor é a coisa mais triste/ Amor é a coisa que mais quero, e propor a substituição da palavra amor pela palavra filho (que é quase a mesma coisa).

Sim, filhos nos enchem de grandes alegrias. E foram muitas as que ela me trouxe, não de êxitos profissionais, embora os tivesse, mas destas alegrias cotidianas, tranquilas ou inquietantes. Seu jeito doce, suas palavras de animo nos momentos que eu fraquejava, tornavam a vida melhor. Seu jeito ácido, suas críticas tornavam a vida um desafio. Foi uma grande experiência tê-la como filha e compartilhar com ela afeto e companheirismo.


A grande tristeza foi não poder tomar o seu lugar no tempo do sofrimento. Numa carta para o seu filho Pedro, Vinicius de Moraes diz, “ me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua”. Como o poeta queria trocar de lugar com ela.


Num texto sobre a morte, Rubens Alves, fala que quem disse que Deus pai mandou matar o seu Filho para pagar contas pendentes, nunca foi pai ou mãe. Porque os pais, havendo contas a pendentes, mesmo com risco de sangue, caminhariam ao matadouro. Entretanto, para nossa tristeza, como também deve ter sido para Ele, isso não é possível. Vivemos na impermanência do mundo, onde a única certeza que nos guia é a morte. E ela nos atinge, sem perguntar dos nossos sonhos, dos nos nossos planos, se muitos irão chorar por nós.


Como Alves não imagino um Deus forte, poderoso. Desta forma, Ele poderia ter impedido a morte a minha filha, e não o fez. Seria terrível acreditar nisso. Prefiro um Deus fraco, que não pode evitar que a morte ocorresse. Mas sentou, me abraçou, chorou e esteve comigo, sem deixar que me perdesse no mar de pranto e sofrimento.


E aos poucos, no meio da minha tristeza, foi me fazendo descobrir que a vida ainda podia ser “vivida”, apesar da dor. Foi me fazendo enxergar quais os laços que me prendiam a vida. Os jovens braços carinhosos do meu filho e da minha nora. Os calejados braços dos meus pais e seus cuidados. Os ternos braços das minhas irmãs, dos meus sobrinhos, dos meus amigos e suas alegrias.

Colocou no meu caminho poemas, livros (como o Livro Tibetano do Viver e do Morrer), textos, para que eu pudesse refletir e aprender. Mas sobretudo, encontrei na caminhada dores de outras pessoas vivendo momentos de perda, para que pudesse escutar, espelhar e apoiar. Faço parte agora do grupo Mães sem Nome.


Há momentos também em que me escondo no porão da solidão, pois preciso de silencio, para não me esvair em fúria, em lágrimas, em dor. Ele me lembra que é um processo, e como tal é vivido com muitas emoções diferentes (a dor da perda, a nostalgia de boas lembranças, a saudade intensa). E ouço outro poeta, Elizabeth Bishop, que diz a " a arte de perder não é nenhum mistério", e aconselha " perca um pouco a cada dia". Tento ter paciência comigo e prossigo a minha navegação pela vida até chegar na outra margem.



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domingo, 7 de agosto de 2016

BELEZAS NATURAIS DO SUL DO CHILE

O parque Nacional Vicente Perez nos encanta pela beleza, se o cruzarmos atravessaremos a fronteira com a Argentina e chegaremos até Bariloche. Essa é uma das rotas clássicas do turismo sul-americano. Não vamos fazer o Cruce Andino desta vez mas caminhar um pouco pelo parque.



O começo da rota é o rio Petrohué com suas águas de tons esmeralda influenciada pela presença das rochas vulcânicas. 



No seu curso belas quedas d'água para nosso deleite visual.



Durante o passeio aaminhar pelas trilhas entre bosques e ir descobrindo as várias faces deste rio. O tempo melhorou um pouco e as fotos ganharam outra luz e cor.




Outro local interessante do Parque é a Lagoa Verde. A coloração das águas neste tom de verde é ocasionada pela presença de algas. 






A natureza nos presenteia com tantas belezas e vale a pena desfrutá-las. Por isso gosto tanto de viajar.


Veja o vídeo que o google criou aqui.

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ENTRE LAGOS, VULCÕES E CHUVA

O Chile é que, como disse o poeta Neruda, tem uma louca geografia. Tem um território alongado, se estende por 4270 km do norte ao sul, mas tem uma curta extensão leste-oeste. É o país mais estreito do mundo. No norte um dos climas áridos do mundo o deserto do Atacama, estive por lá em2013. E ao sul a Patagônia Chilena, com clima úmido e frio. E, mesmo em pleno inverno, nos arriscamos a comprar uma passgem para o sul. 


Não lembro exatamente o ano em que visitei o sul do Chile (pelo meu rosto lisinho na fotografia dá para perceber que já tem bastante tempo), naquela viagem cruzamos a Cordilheira dos Andes até a Argentina. Ficou muito viva na minha memória a beleza do lugar, por conta disso, decidi voltar.

Uma promoção de passagens foi oportuna e o que me deixou apreensiva, julho não era a melhor época para visitar o lugar, a possibilidade de chuva era muito grande, e chuva atrapalha qualquer viagem.

Chegamos através do aeroporto de Puerto Montt, a porta de ingresso da Patagônia Chilena. Não nos detivemos ali, nosso destino era a pequena Puerto Varas, há 20 km. Localizada a beira do lago Llanquihue, o terceiro maior lago natural da América do Sul. Nas suas águas azuis do lago se reflete o majestoso vulcão Osorno, nos dias mais claros é possível ver também o vulcão Calbuco. 


Nas suas águas azuis do lago se reflete o majestoso vulcão Osorno, nos dias mais claros é possível ver também o vulcão Calbuco. A visibilidade não estava das melhores, Osorno estava coberto de nuvens.




Nosso primeiro passeio foi chegar bem perto do Osorno. A caminhada pelas bordas do lago, com paradas estratégicas para contemplar a paisagem. Entretanto, a umidade era grande e nuvens já prenunciavam chuva.


A medida que nos aproximávamos o tempo ia ficando cada vez mais nublado, e  o grande vulcão encoberto pelas nuvens.




Comparem as duas fotografias, a da viagem anterior e dessa, e vejam o quanto o clima pode comprometer as experiências de uma viagem e as fotografias.




Na base do Osorno há uma estação de esqui, que estava com pouquíssima neve e, portanto, sem a frequencia dos esquiadores. Nos acompanhou a chuva com pequenos flocos de neve e sobretudo o vento nos impediram de subir nos até o topo, nas cadeirinhas. Nos restou a cafeteria para um chocolate e estar pertinho do aquecimento.

Apesar das condições o passeio prosseguiu até o Lago Todos os Santos. E ai desafiamos a chuva com vontade, apesar disso, decidimos fazer o passeio de barco. As nuvens e o cinza comprometeram a visibilidade. Coloco aqui as fotos da viagem anterior só para que tenham ideia do visual. Só não foi pior porque o barqueiro compartilhou conosco uma caça que havia preparado para o almoço.

Em dia de sol....


Agora com chuva...


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quinta-feira, 28 de julho de 2016

OUTRAS IDÉIAS - SANTIAGO

O gostoso de estar numa cidade diferente é caminhar e ir descobrindo coisas interessantes, observar a maneira como vivem as pessoas. E assim experimentar momentos únicos, fora de qualquer indicação turística. 

Nessa viagem um momento especial foi quando andamos muito para conseguir achar um cinema alternativo, quando conseguimos encontrar a sessão já havia começamos. Paramos em uma praça para aproveitar o final da tarde de sol e de repente uma mulher parou no centro da praça com um amplificador e começou a cantar belas músicas com sua voz de soprano. Foi mágico. Mas a idéia do post é dar outras idéias, se lhe sobrar tempo.

UM PASSEIO EUROPEU NO BAIRRO PARIS LONDRES

Para quem gosta de arquitetura vale a pena conhecer este trecho chamado Paris- Londres, um elegante oásis de ruas e curvas, construções de 1920, hotéis, restaurantes e estúdios de artistas. Um cenário bucólico para um passeio sem pressa. 


Para chegar no local, vá até a estação Universidad do Chile lina 1 (vermelha) e siga para o sul da Calle Serrano. Um ponto de referencia é o mosteiro de San Francisco.

BIBLIOTECA NACIONAL
Outro prédio de arquitetura deslumbrante, cheio de belos vidrais. A construção é de 1813. 



Abriga coleções valiosas, incluindo obras de grandes escritores chilenos como Gabriela Mistral e Pablo Neruda. Para chegar lá saltar na Estação Santa Lucia,  Av. Libertador Bernando O'Higgins, 551 


COSTANERA CENTER
Outra obra arquitetônica que orgulha os chilenos é o Costanhera Center, o mais alto prédio da América do Sul. Quatro andares são ocupados por um Mall (shopping center), com lojas de departamento e restaurantes. 


Uma das atrações do lugar é o Sky Costanera. Por 5000 pesos chilenos é possível subir ao terraço e ter uma visão privilegiada da cidade. Veja aqui.

PARQUE ARAUCANO
É um lugar bastante agradável para passear. Com áreas para andar de bicicleta, pista de skate, quadra de tênis. 



E um bem cuidado jardim de rosas. Apesar do inverno e da poluição encontramos belas rosas. 



É cercado por um centro comercial o Mall Araucano e muitos prédios residenciais.

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quarta-feira, 27 de julho de 2016

VOCÊ QUER BRINCAR NA NEVE?

Nós brasileiros, que vivemos num país tropical, onde neve é um fenômeno meteorológico quase inexistente, ficamos encantados com ela. Buscá-la mobiliza pessoas a viajar. A possibilidade de encontrar a neve mais próxima geograficamente estão no Chile e na Argentina.


Nas montanhas próximas a Santiago, algumas estações de esqui, tornam-se destino para o grande encontro. Existem muitos modos de encarar a neve, dependendo da sua disponibilidade de grana para investir, da habilidade para aprender os esportes de inverno. São três estações de esqui: Valle Nevado, Farellones e La Parva.


Esquiar não é atividade fácil de aprender, exige um mínimo de habilidade para se equilibrar, quem é bom em esportes semelhante (surf, esquete etc) tem mais chances. Oferecem aulas de um dia (será que são suficientes?), mas acredito que quem quer investir em aprender o esporte, deve se hospedar aqui.


Valle Nevado é a estação de esqui melhor estruturada. Hospedar-se aqui não é exatamente barato, mas há opção entre o hotel e alguns flats (um pouco mais baratos e você pode preparar as suas próprias refeições). Acrescente aos seus custos o aluguel das roupas e equipamentos para a pratica do esporte. 

Para quem não veio para esquiar, as opções no Valle Nevado não são muitas. O passeio no teleférico fechado custa 40 dólares nos dias de semana . Lá em cima há um restaurante Bajo Zero. Leia aqui maiores informações sobre comer e beber no Valle Nevado. 

Outra opção é a hospedagem em Farellones é, segundo informações, um pouco mais barata. As opções de vida noturna são praticamente restritas aos hotéis e restaurantes. Leia aqui um relato de experiência. 


Farellones tem mais atrações para quem não vai esquiar. São opções como o turbing, uma espécie de tobogã com pneus. Não demos sorte, pois a neve estava insuficiente para a brincadeira (como nessa foto).


Optamos por um passeio de um dia através de uma agencia. Junto com outros brasileiros  subimos a montanha enfrentando uma estrada de muitas curvas. Aconselho a quem tem problemas de enjoo, que utilize um comprimido de uma anti-emético de sua confiança. Antes da estrada, uma paradinha pra alugar as roupas para enfrentar o frio.


O divertido da viagem é o momento em que o motorista da van para em um espaço nas montanhas e alugando uma pequena prancha plastica, praticamos o 'esquibunda", descer foi uma delícia. Minha sobrinha Mila, companheira de viagem, amou... Pena que não consegui filmar.



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terça-feira, 26 de julho de 2016

AS CASAS DO POETA NERUDA

Gosto de visitar os museus casa de personalidade são um misto de história, arte, curiosidade. Com um pouco de imaginação a gente fecha os olhos e consegue acreditar que a pessoa (o poeta, escritor) esta a lhe receber. Visitando as Casa Museu Pablo Neruda, especialmente La Chascona, tive este delírio que o poeta com seu largo sorriso me convidava para beber um cálice de vinho e ouvi-lo declamar um dos seus poemas.



Pablo Neruda é um dos maiores poetas da América Latina, foi Premio Nobel de Literatura em 1971. Três das suas casas foram transformadas em Museus e estão entre os lugares mais visitados no Chile. Em comum têm a intervenção do morador na arquitetura, reinventando espaços, que lembram barcos, trens, convés de navios. Agregando obras de arte ou outras peças apenas de valor afetivo, suas inúmeras coleções, dando cor e personalidade a moradia.

LA CHASCONA
Sem duvida é a mais romântica das Casas, foi comprada para abrigar o grande amor, Matilde Urrutia, no tempo em que eles viviam um romance clandestino. O nome da casa foi dado em sua homenagem, Chascona, na língua quíchua, significa descabelada, lembrando sua cabeleira ruiva e ondulada.



A construção é formada por três blocos integrados com área externa, com jardins. Anteriormente, pela área central do terreno, corria um córrego, mas foi aterrado.

Esta casa tem um significado histórico, foi vandalizada pelos simpatizantes do golpe militar, apesar disso, o velório de Neruda ocorreu aqui e foi uma das primeiras manifestações públicas contrárias a ditadura.

La piedra y los clavos, la tabla, la teja se unieron:

he aquí levantada la casa chascona
con agua que corre escribiendo en su idioma, (…)
Mi casa, tu casa, tu sueño en mis ojos.” (Neruda)


LA SEBASTIANA

Situada em Valparaíso, esta casa é a menos emocionante delas. Possivelmente por ser a menor, como acervo menos significativo. Foi comprada inacabada em 1959, junto com o casal de amigos Maria Martnes e Francisco Velasques.


O magnífico da casa é o visual da cidade de Valparaíso.



O jardim também é muito agradável.

La casa crece y habla,
se sostiene en sus pies,
tiene ropa colgada en un andamio,
y como por el mar la primavera
nadando como náyade marina
besa la arena de Valparaíso.” (Neruda)

ISLA NEGRA
Esta é a minha casa favorita, pela proximidade com o mar, na praia de Algarrobas. Ela tem também o projeto arquitetônico mais elaborado, do arquiteto espanhol Rodrigues Arias, mas com toques pessoais de Neruda.



E uma construção linear semelhante a vagões de um trem e há no lado externo um vagão de trem, uma homenagem ao seu pai, que era ferroviário. 

 Mas o grande amor do poeta era o mar, se dizia que era um comandante de navio que permanecia em terra. O ruído das ondas o inspirava para escrever, nesta casa escreveu boa parte do seu livro de memórias: Confesso que vivi.



Mas o grande amor do poeta era o mar, se dizia que era um comandante de navio que permanecia em terra. O ruído das ondas o inspirava para escrever, nesta casa escreveu boa parte do seu livro de memórias: Confesso que vivi.

Muitas peças do acervo, que não pode ser fotografado, também lembram o mar. São figuras de proa, instrumentos de navegação, coleção de pequenos barcos em garrafas, conchas. 

Aqui passou os seus últimos dias de vida e estão o sepultados os corpos do poeta e sua amada Neruda.

Para visitar as casa museu, consulte o site da Fundação Pablo Neruda, lá estão os endereços e mapas que os guiaram até cada uma delas. A visita vale a pena.

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