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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

PROMESSAS DE ANO NOVO

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Receita de Ano Novo
Carlos Drummond de Andrade



Desperto dentro de nós 2010 emplaca o segundo mês. E ai, você está fazendo-o novo ? Já dá para perceber quais as promessas de ano novo que estão acontecendo e quais não "pegaram".

Tenho feito um esforço cotidiano para merecer o meu ano. Não tracei metas audaciosas, nem desejos extraordinários. Pensei em ser mais simples, e tentar movimentos no sentido do que preciso melhorar.

O primeiro movimento foi de organizar e simplificar dando mais leveza e eficiencia a minha vida. Sou dispersa por natureza, me enrolo na vida prática e perco muito com isso. Nos dois últimos anos tenho evitado assumir mais atividades do que posso dar conta, dizendo "não" sem culpa. Agora o investimento é na organização, um enorme esforço para centrar, planejar, concluir. Tudo dentro de um ritmo tranquilo mas sem preder o foco.



Outro movimento é o cuidado amoroso comigo e com os que estão próximos. Estando mais atenta, ouvindo, respondendo, sorrindo. Priorizando o cuidado com a saúde, a contemplação da natureza e atividades físicas. Estou realizando consultas médicas e tratamentos odontológicos pendentes.

E um novo ano começa dia 14 de fevereiro, o ano novo chinês. É o ano do tigre, li os comentários de uma astróloga chinesa que é uma ano dinâmico e expansivo, com resultados um tanto imprevisíveis, um ano de invovações.
E vamos lá... prosseguir buscando o ano novo.

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

DE UMA PAIXÃO


Este post é uma declaração a uma grande paixão... o mar.
Nasci numa cidade à beira mar e acho que o amor começou naquele primeiro dia que os meus pais me levaram a praia. Fui aprendendo desde cedo a caminhar na sua borda, senti o macio da areia nos pés, mergulhar nas suas ondas. Aos onze anos fui morar numa rua exatamente em frente a e era delicioso dormir embalada pelo ruído das ondas.

Quando cheguei em Salvador, aos 17 anos, pra estudar, confesso que senti muita falta da cotidiana presença do oceano. Na capital, m
orava num bairro central e de quando em vez ficava inquieta e a calma só retornava quando contemplava as águas marinhas.

Se havia tempo e dinheiro para o onibus (é ele era curto) descia a ladeira da Barra para o grande encontro. Mesmo que não desse para mergulhar, molhar os pés na docura das águas, ouvir aquela música de vai e vem.

Mas o amor podia ser de longe também. Salvador tem o privilégio de ter um centro de cidade com vista pra a Baia de Todos os Santos. E os meus cantinhos de fuga eram os jardins do Museu de Arte Sacra ou na praça Castro Alves. O brilho do mar ao longe fazia a tranquilidade retornar.

Confesso que não sei se saberia viver longe do mar. Costumo citar um verso, que depois descobri ser do Caetano e do Gil, que diz assim:

Na terra em que o mar não bate
Não bate o meu coração
O mar onde o céu flutua
Onde morre o sol e a lua
E acaba o caminho do chão



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sábado, 30 de janeiro de 2010

O AMOR E AS CANÇÕES

Fiquei viajando no papel da música para expressão dos nossos sentimentos. O amor as canções, por exemplo, estão quase sempre entrelaçados. Lembra quando estudávamos literatura portuguesa, e começávamos conhecendo os trovadores, figuras que compunham poemas-melodias. Literatura e música mescladas, e uma das grandes motivações era o amor. As Canções de amor, onde o cavaleiro destinava belos versos a uma amada idealizada.

Não tenho dúvida que elas serviram de origem as serenatas. Ela é uma cena que fica nosso imaginário romântico: o apaixonado, cantando debaixo de uma janela, faz a sua declaração de amor. Produzi-las exigiam do pretendente, amigos músicos, um repertório bem escolhido e uma voz minimamente afinada. Para não correr o risco de levar um balde de água fria na cabeça.

Depois os amantes receberam uma ajuda tecnológica, o recado amoroso ia através dos auto falantes das praças. Acredito que somente quando se tinha alguma certeza de que a moça tinha interesse, uma música era dedicada. Depois dos olhares furtivos nos passeios da praça, recados trocados pela intermediação de amigos. E, os mais precavidos, ainda sob um pseudônimo secreto, para que a família da moça não descobrisse.


Deste período destaquei Rosa, de Pixinguinha e Otávio de Souza, uma música que para mim tem uma das letras mais bem elaboradas que já vi. A amada continua idealizada, como nas canções do trovadorismo. É a conquista amorosa não era fácil...



Foi lá no tempo dos nossos avós. Entretanto, mesmo na geração seguinte, com um pouco mais de proximidade entre homens e mulheres, a conquista amorosa era um processo. Veríssimo nos conta na crônica De volta ao granido, que "o homem pedia a mulher em namoro, pedia a mulher em casamento, e, quando finalmente podia dormir com ela, era como chegar no guichê certo depois de preencher todas as formalidades, reconhecer todas as firmas e esperar que chamassem a sua senha.”

Mas as canções ajudavam. Tem uma, por exemplo, da bossa nova, que é um pedido clássíco de namoro. Se o moço cantasse olhando nos olhos então, dificilmente a resistência seria intransponível.



A minha geração protagonizou transtormações sociais significativas, as relações amorosas não são mais as mesmas, mas as canções premanecem, declarando o amor. Entre muitas, escolho Mania de você, destaco o papel ativo da mulher na declaração de amor e tom mais erótico das propostas.

O amor prossegue inspirando grandes canções, elas vão cantando dores e delícias deste sentimento eterno. Qual a sua favorita.


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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

HISTÓRIA DAS CANÇÕES


Ouvindo uma canção ela desperta em nós inumeros sentimentos. Uma obra de arte é aberta, cada um decifra como quer. As vezes atribuimos um significado que o autor jamais pensou. Mas e os sentimentos que motivaram as canções e nos comovem, são verdadeiros ou falsos? Que histórias inspiraram as inspiraram. E a fonte de inspiração foram fatos e personagens verídicos ou pura invenção?

Esta curiosidade atiça os ouvintes. Musas se candidatam, pessoas atribuem significados, lendas são criadas, incentivadas ou não pelos autores. Será que vale a pena quebrar o mistério e conhecer a verdadeira história das canções?

Wagner Homem aposta que sim,e como já vinha fazendo no site oficial do Chico Buarque ele decidiu publicar um livro contando alguns episódios envolvendo as músicas do autor. Encontrei o livro numa das esquinas da minha livraria favorita e apostei em desvendar os mistérios. Terminei lendo quase todo neste final de semana derrubada por um resfriado.

Como fã do Chico, já conhecia algumas das curiosas histórias contadas, em leituras e depoimentos anteriores. Desta forma o livro não me trouxe grandes surpresas. Mas valeu pela cronologia, por deixar os episódios organizados no tempo e por fazer um pequeno resumo do contexto nacional.

A canção popular de alguma forma redesenha a cara de um país, refletindo incertezas, esperanças. A obra fonográfica de Chico reflete muito do momento histórico e cultural vivido no Brasil no final do século XX. Tempos turbulentos, tempos de celebração.

Músicas e letras também fazem parte da nossa trajetória pessoal. Quem nunca cantou "E tenho até remoçado, me pego cantando sem mais nem porque", em tom de vingança para um ex e sofrido amor. Ou num momento de paixão absoluta não cantarolou baixinho no ouvido do amado: "quero ficar no teu corpo como tatuagem.." . E constatamos que as canções são também um pouco nossas e nos surpreendemos : "como não fui eu quem fiz".

Verdades ou invençôes, feitas por encomenda ou vindas do fundo do coração, pouco importa ficam as canções. E podemos até radicalizar como o Ruy Guerra: "Chico Buarque não existe, é uma invenção, sabiam. Inventado porque necessário, vital. Sem ele o Brasil seria mais pobre, mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

As religiões constituem uma das construções de maior excelência do ser humano. Elas trabalham com o divino, com o sagrado, com o espiritual. Mas elas não são o espiritual. Espiritualidade é outra coisa. As religiões podem se substantivar e se autonomizar, articulando os poderes religiosos com outros poderes, no jogo nem sempre claro de interesses.

Leonardo Boff - Espiritualidade


A espiritualidade é sempre uma experiência de mudança interior, de comoção do coração, que tem pouco a ver com doutrinas e dogmas. Ela é uma dimensão de cada ser humano, e se traduz "pelo amor, pela compaixão, pela escuta do outro, pela responsabilidade e pelo cuidado como atitude fundamental" (Leonardo Boff).

A melhor religião, disse o Dalai-Lama, é aquela que lhe faz bem. E assim como gostamos que respeitem o caminho religioso que adotamos, devemos também respeitar o que o outro segue. A paz, o diálogo entre as religiões evidenciam o nosso elo com o divino.

Celebramos ontem, em Salvador, o Dia de combate à Intolerância Religiosa. E o nosso desejo é que nunca voltem a acontecer, como vimos em terras baianas, agressões à pessoas por conta das diferenças religiosas. Que os nossos rituais, orações, devoções, cultos sejam respeitados e possamos demonstrar sempre a paz e a harmonia como reflexo da nossa prática religiosa.


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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

12 LIVROS EM 12 MESES - JANEIRO


Para sempre Alice
Lisa Genova
Editora Nova Fronteira, 2009



Transformar uma doença em literatura não é tarefa fácil. Algumas doenças são mais literárias, sem dúvida. Um exemplo classico é o da tuberculose, que, com suas febres e urgências, inspirou um ciclo de histórias trágicas durante o romantismo. Em tempos recentes, a AIDS também deu origem a romances e contos comoventes.

No livro, a autora, uma neurocientista americana, Lisa Genova, explora numa obra de ficção, um distúrbio neurológico complexo e até hoje incurável, que atinge o cérebro e provoca a degeneração progressiva as operações cognitivas- o mal de Alzheimer. E nos perguntamos, como encontrar inspiração para uma trama numa doença que vai apagando a complexidade da realidade interna, tornando a mente em um grande silêncio. Um personagem cuja memória vai se apagando aos poucos não dificultaria o trabalho literário ?

Sem uma trama complicada, nem reviravoltas ou mistérios a narrativa transcorre sem grandes floreios, beirando à simplicidade. Aos poucos, vamos conhecendo a história de Alice, uma catedrática de Universidade de Harvard, casada com um biólogo e mãe de três filhos adultos.

Aos 50 anos, no auge da sua carreira acadêmica, começa a esquecer coisas simples. Em seguida, passa a ter momentos de branco total. Enfrenta o diagnostico do mal de Alzheimer precoce, sem desespero. Busca informar-se sobre os sintomas e tenta combatê-los à medida que surgem, com uma sinceridade desconcertante.

Com todas as dificuldades nos identificamos com o personagem, acompanhamos aa sua luta contra a perda da memória, resistindo bravamente com a ajuda da família, dos profissionais de saúde e dos amigos. Reinventatndo, a cada dia a sua vida, aprendendo a se deixar cuidar, a não ser mais a mesma pessoa a medida em que sua memória vai sendo apagada.

O livro cumpre assim com a função primordial da literatura: nos levar a um mundo que não conheceríamos tão intensamente de outra forma. E Alice serve para nos lembrar que permanecemos para sempre humanos, mesmo que tenhamos perdido o que é essencial, a memória da nossa história de vida.

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

PENSE NO HAITI

“Pense no Haiti / reze pelo Haiti”
Gilberto Gil e Caetano Veloso


Os olhos do mundo estão voltados para um pequeno país da América Central. Além da conturbada situação social e política, a devastação do terremoto. Almadiçoado, disse o premier inglês, o terremoto é um castigo pois o país fez um pacto com o diabo, fala um pastor ultra conservador americano. Até o cônsul do Haiti no Brasil fala em maldição.

Para compreender a utilização destas expressões e compreender o que está por trás delas é necessário conhecer melhor a história do país. O jornalista Haroldo Cereza no
UOL notícias conta um pouco mais.

O Haiti foi uma das primeiras colônias americanas a conquistar sua independência, numa luta liderada por escravos africanos. Para o historiador Gorender a ousadia dos negros e mulatos foi punida com a falta de apoio das outras recém emancipadas colônias, e este isolacionismo aliado a outras questões, tornaram uma das colônia mais produtivas das Américas num país pauperizado.

A miséria e a instabilidade política acompanharam o país do século XIX ao começo do séc. XX. Nasceu uma feroz ditadura, com o poder repassado de pai para filho, custou muito para o país. Deposta na década de oitenta foi seguida de período de grande conturbação política, que perdura até hoje.

Mais ou menos trágicas, a história dos países americanos tem pontos comuns. De Novo Mundo nos transformamos em Terceiro Mundo, em periferia explorada e negligenciada. Violência, miséria, exclusão são o nosso cotidiano. Caetano denuncia isto na sua música "ninguém, ninguém é cidadão".

E as tragédias climaticas são sempre dolorosas, se ocorrem onde não há nenhuma estrutura de Estado elas são muito mais sofridas e nos atordoam.


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